NEUTEL MAIA: DETALHES E SEGREDOS DA VIDA DE UM PIONEIRO
Por:Isaac Ronaltti
Historiador, Pós-Graduado em Metodologia do Ensino Superior.
Grande parte dos textos que tratam a respeito de Neutel Maia se limita a narrar o episódio da chegada do pioneiro e a fundação do Seringal nomeado de Empreza, local que originou a cidade de Rio Branco. Por trás do mito construído em torno da figura de Neutel, esconde-se a história da vida de um sujeito inquieto, desbravador, visionário e por vezes até controverso. Um bom exemplo disso é o momento do levante liderado por Galvez em que Neutel abertamente se posiciona a favor dos bolivianos. Neutel mantinha ótima relação com os bolivianos, principalmente por ter nas relações comerciais com os mesmos a razão de grande parte de seu sucesso financeiro. Através de pesquisa no Arquivo Histórico do Tribunal de Justiça do Estado do Acre somado a análise de todos os textos e bibliografias que citassem o nome de Neutel Maia é que se construiu este texto. Os documentos revelam traços psicológicos de Neutel: temperamento, sagacidade, humor, além dos seus envolvimentos comerciais, suas viagens pelo mundo e um dos elementos mais interessante: a participação ativa de Teresa Newton Maia – mulher de Neutel, mulher forte e determinante nas decisões do marido, carinhosamente apelidada pelos citadinos como Dona Té. Apresento-vos trechos e episódios desconhecidos a respeito do fundador do Seringal Empreza.
Neutel Newton Maia nasceu no dia 24 de dezembro de 1860, na cidade de Áreas – Ceará. Único filho homem do casal Francisco Alves Maia e Constança Ferreira Maia e irmão de Maria da Conceição e Ana, assim como grande parte dos nordestinos foi vítima da grande seca de 1877-1878. Neutel era homem destemido. Junto de alguns companheiros, aportou à boca do Rio Acre ao definhar do ano de 1882. Dos que o acompanhavam, Damasceno Girão fundou Antimarí, que em 1890 foi elevado à categoria de Vila pelo Governo do Amazonas. Posteriormente Girão ainda fundaria Xapuri no ano de 1894.
Era acompanhado também pelos irmãos Leite, que juntos fundaram os seringais Apií – uma homenagem ao nome do barco que os trouxera até a embocadura do Rio Acre; os seringais Apií compreendiam o Bagaço, Vista Alegre e Baixa Verde; ao contrário dos companheiros, Neutel Maia decidiu subir mais o Rio Acre, aportando numa das voltas do rio marcado pela presença de uma magnífica gameleira, estabeleceu-se na localidade batizando-a com o nome de Empreza, uma referência a Companhia de navegação do Navio que os trouxera até a Boca do Rio Acre, que se chamava Cia Empreza Fluvial do Amazonas.
A data precisa da chegada de Neutel é ponto discordante entre pesquisadores do assunto: a data de 28 de dezembro foi escolhida a partir de uma suposição feita por pesquisadores do extinto Departamento de Geografia e Estatística do Território Federal do Acre, juntamente da Inspetoria Regional de Estatística do IBDF. Em publicação produzida para a comemoração do Centenário da Cidade de Rio Branco, Mustafa Ribeiro de Almeida, que participou da elaboração da pesquisa e da escolha da hipotética data de chegada de Neutel ao local que teve início a cidade de Rio Branco, explica-nos a celeuma: Mustafa diz que uma das pessoas mais próximas de Neutel ainda viva era o professor Mário de Oliveira que foi apadrinhado por Neutel. Mário de Oliveira informou que tinha certeza que Neutel havia passado a noite de natal no Seringal Bagaço e que a noite de 31 de dezembro passara no local em que hoje é o 2º distrito da cidade de Rio Branco, informou ainda que Neutel partira do Bagaço 3 dias após o Natal subindo o rio.
Mustafa adverte que na realidade nunca se soube ao certo a data de chegada de Neutel, resolveram então eleger uma data a partir do seguinte cálculo: “... se Neutel partira do Bagaço três dias após o Natal, e como uma embarcação na referida época do ano, gasta em torno de seis horas do Bagaço até Rio Branco, elegeu-se o dia 28 como o da provável chegada de Neutel.” Os responsáveis pela publicação deixaram claro que a data estava sujeita a retificações inclusive pedindo a colaboração de quem soubesse a data exata. A data de chegada de Neutel a Rio Branco já foi ponto de acalorados debates. No início da pesquisa, enfrentei certa dúvida quanto ao ano certo de chegada. Parece claro para todos que o ano da chegada de Neutel seja 1882, mas a dúvida surgiu de um texto publicado pelo Professor Mário de Oliveira no Jornal “O Acre” de 1941, onde referenciava a passagem de um ano da morte de Neutel, e traçava uma rápida tentativa de Biografia datando a chegada de Neutel referente ao final do ano de 1884. Segundo o próprio professor Mário de Oliveira, a afirmação foi equivocada, foi baseada em uma foto que constava o ano de fundação da N. Maia e Cia. e não o ano da chegada de Neutel.
A retificação foi feita em carta endereçada ao ex-governador Geraldo Gurgel de Mesquita, carta esta que teve seu inteiro teor publicado em revista produzida em alusão ao centenário da Cidade de Rio Branco, produzida pelo SERDA em dezembro de 1982. Como já foi mencionado, já em 1884 Neutel funda a empresa N. Maia & Cia, empresa que paulatinamente se consolidou no comércio de estivas, secos e molhados e produtos importados. O crescimento da empresa permitiu que, já no ano de 1886,
Neutel mandasse buscar uma leva de nordestinos para trabalhar com a seringa, entre estes estavam Pedro Nolasco e Miguel Cunha. Em 1891, Neutel já estabelecido e com um bom número de posses viaja ao Ceará e lá casa-se com uma de suas primas, Tereza Maia de Lima, o casamento aconteceu no dia 29 de junho de 1891.
Segundo Mário de Oliveira, Dona Té, como ficara conhecida pelos populares da Empreza era um mulher de fibra e de opinião forte, mas muito caridosa, cuidou por muitas vezes de crianças abandonadas e de moribundos atacados por doenças como a malária e o Beri-béri. É por iniciativa de Dona Té, que se ergueu a primeira Capela, de culto Católico, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, construída nas proximidades da atual Igreja da padroeira de nossa cidade.Com o crescimento da N. Maia & Cia tornaram-se sócios da empresa Manoel Teóphilo de Lima e Ananias Maia de Lima, ambos cunhados de Neutel, e ainda, Guilhermino Teixeira Bastos. É justamente no trato da sociedade que surge um dos pontos mais intrigantes dos dados coletados a respeito de Neutel e sua sociedade.
Curiosamente, dos três sócios, o mais importante era Manoel Teófilo, por vias das dúvidas, em alguns momentos a sensação que temos ao analisar os documentos é que Manoel Teófilo conhecia muito mais o patrimônio da empresa do que o próprio Neutel, um bom exemplo disso é o processo que Maria Juvenil Parente e Isaura Parente movem contra a União devido a Prefeitura ter se estabelecido em suas terras no ano de 1908. Em processo protocolado no ano de 1909, tanto Manoel quanto Neutel são testemunhas, principalmente pelo fato das terras do lado de Penapolis terem sido vendidas a Família Parente por Neutel. Neutel se limita a informar que havia vendido as terras para o senhor J. Parente, não precisa a data da venda e muito menos quais eram as benfeitorias da terra na época da venda. Manoel é criterioso em informar que no ano de 1895 estivera no Barracão ocupado à época pela Família Parente e que o mesmo já estava muito velho. Disse ainda que de 1895 a 1897 morou nos terrenos ora contestados a União pela viúva e que os mesmos pertenciam a Neutel Maia possuindo inclusive titulo definitivo das terras, vendendo um ano depois para o senhor J. Parente esposo de Dona Maria Juvenil Parente. Pouco tempo depois da compra da terra o senhor J.
Parente veio a falecer e Dona Maria Juvenil e Isaura Parente, esta última ainda criança enterram o patriarca ao lado do velho barracão. Os fatos e as minúcias informadas por Manoel não são uma exceção presente apenas neste processo. No ano de 1916, o Banco do Brasil, agência de Belém do Pará entra com uma ação de Execução contra a N. Maia, revelando ainda o cenário econômico que abalara todo o mercado da borracha a partir de 1912 e o avanço das plantações de seringa no Ceilão e na Malásia.
A crise financeira é demonstrada numa série de ações de Execução e solicitação de penhora contra a N. Maia e Cia. Quase todos os processos são respondidos integralmente por Manoel Teóphilo levando a pensar em alguns momentos que Neutel, após um determinado tempo, limitava-se a emprestar o nome e o gabarito da empresa aos sócios, em especial a Manoel Teóphilo, até porque, Neutel era um homem inquieto, viajante, alternava ciclos de 3 a 5 anos no Acre e 2 a 3 anos fora, isso até como retrato dos diversos conflitos em que Neutel esteve envolvido com autoridades locais.
As constantes viagens de Neutel talvez expliquem seu nome não constar no relatório produzido por José Paravicini, Ministro Plenipotenciário da Bolívia, que realizou levantamento das famílias que habitavam as margens do Xapuri até o Rio Acre, trabalho feito no final do século XIX. Após a venda das terras do lado oposto a Empreza para J. Parente, Neutel envolveu-se em escaramuças com Galvez, sendo um dos representantes da Comissão em defesa dos Direitos das Famílias Brasileiras, atividade esta que ocasionou a prisão de seu Navio “Rio Acre” e sua detenção; Neutel tinha ótima relação com os bolivianos, entre eles Nicolas Suarez – um dos signatários de uma das maiores empresas de exploração da borracha na Bolívia: a Suarez Hermanos Company, além de ter relação muito amistosa com a aduana de Puerto Alonso. Neutel possuía sérios motivos para não se indispor com os bolivianos: primeiro que a dinâmica de comércio executada por Neutel com os bolivianos era uma das razões de seu rápido sucesso econômico: Neutel trocava mercadorias industrializadas trazidas das praças de Belém e Manaus por gado verde dos bolivianos, o gado era transportado e abatido no Seringal Empreza e durante muito tempo foi a única fonte de abastecimento de carne fresca do Seringal e da Villa Rio Branco, não foi por outro motivo que uma das primeiras atividades comerciais de Neutel foi uma marchantaria (açougue). Por ser gênero de primeira necessidade a carne era produto muito caro, razão de vultosos lucros financeiros de Neutel. Neutel também temia que um conflito mais sério e uma possível consolidação da República de Galvez, ou mesmo de qualquer outro movimento sedicioso fizesse com que os títulos definitivos de suas terras fossem contestados, haja visto que Neutel era um dos poucos a possuir documentação de posse de suas terras, os mesmos eram reconhecidos pelas autoridades cartoriais bolivianas. Neutel só veio a ser libertado com o Golpe de Souza Braga em Galvez, rapidamente, com o dinheiro capitalizado com a venda das terras aos Parentes, nomeou procuradores os sócios da N. Maia & Cia deixou sua esposa Dona Té com familiares em Fortaleza e alternou dois anos entre viagens pela Europa, retornos ao Brasil, principalmente as cidades de Belém, Manaus, Rio de Janeiro e Fortaleza, as três primeiras cidades em razão dos negócios e a última cidade em razão de Dona Té.
Neutel retorna ao Acre quase no mesmo período em que as Forças Expedicionárias Brasileiras, lideradas pelo General Olimpio da Silveira apaziguavam a região e mantinham o Modus Vivendis celebrado por Brasil e Bolívia anterior as negociações que resultaram no Tratado de Petrópolis.
Neutel ausenta-se novamente do Acre retornando apenas em 1906, época em que o fotografo Emílio Falcão passa pela Empreza e tira algumas fotos de Neutel Maia, uma em especial, mostra Neutel e todos os agregados em frente ao comércio da N. Maia & Cia.
No período que esteve fora anterior a 1906, Neutel conheceu a Áustria, Alemanha, França, enfim, grande parte da Europa. Nesta mesma viagem Neutel se envolveu em um pitoresco acontecimento: era final de tarde, Neutel estava entediado, saiu e resolveu assentar-se em um banco de uma Praça da cidade de Paris.
Desejava ele conversar com alguém. Neutel resolveu xingar a mãe de quem passava, embora observa-se apenas curiosos olhares dos franceses que nada entendiam o que Neutel falava, até que uma das pessoas que passava virou para Neutel e bradou “... é a tua mãe!”, Neutel sorriu e alegrou-se em topar com um brasileiro. Foi nesta mesma viagem que Neutel conheceu e se aprofundou na jogatina, divertiu-se nos Cassinos de Monte Carlo e de toda a Europa. Neutel retorna no mesmo ano de 1906 ao Acre empolgado trazendo uma banca francesa, roletão, roda fiche, bacará, tableau e 3.000 fichas e monta a Assembléia Acreana que durante um bom tempo foi o clube de maior sucesso na localidade.
Neutel Maia era sujeito sagaz e calculista, uma das provas mais interessantes disso, é que, à medida que sua empresa crescia, de forma natural aconteciam querelas jurídicas em Manaus, Belém e até na própria Vila da Empreza. Observando isso, Neutel fez questão de ter operadores do direito de qualidade e confiança à sua volta, conseguiu isso ajudando financeiramente na formação de seu irmão José Alves Maia, e não só, apadrinhou Mário de Oliveira, estes sendo os dois primeiros bacharéis em Direito locais, inclusive é deste último grande parte das informações que se possuem a respeito de Neutel.
No ano de 1909, Neutel é testemunha no processo movido pelas Parentes contra a União devido à ocupação das terras da viúva para a construção de prédios públicos por ordem do Prefeito Gabino Bezouro, prédios estes que atenderiam o administrativo da nascente Penapolis. A ação foi ganha pelas Parentes, mas só foi paga em 1941, poucos meses depois Isaura Parente faleceria na cidade de Belém do Pará.
Na ausência de seu irmão José Alves Maia, Neutel respondia temporariamente como Delegado Auxiliar da localidade, inclusive aparecendo assinaturas suas no processo de investigação do assassinato de Plácido de Castro, isso ocorreu durante todo o ano de 1910. Em fevereiro do referido ano, Neutel sofre um atentado, arquitetado por José de Melo e o prefeito Leônidas Benício de Melo e executado por um sujeito conhecido por Manoel Batista, este último, após o ocorrido evadiu-se para a região do Abunã e nunca mais apareceu na Empreza.
Era notória a rixa entre os Maias e os Irmãos Melo, principalmente após José Alves Maia ter produzido e enviado uma carta ao Governo Federal relatando alguns desmandos da administração do Prefeito Leônidas Benício de Melo. José de Melo e seu irmão, ainda arquitetaram um Golpe contra a Companhia Regional e entre as ordens dadas estava que após o controle da Companhia caso houvesse a intervenção dos Maias, toda a família deveria ser executada e ainda, Neutel e José Alves Maia deveriam receber uma surra em praça pública. O plano dos Melo foi descoberto e completamente frustrado.
A partir de 1912, todo o comércio local passou a sofrer com a queda do preço da borracha devido as plantações de seringueiras asiáticas, Neutel apostava muito no comércio interno. Como tentativa de resistência aos efeitos da crise econômica Neutel junto de outros comerciantes de Rio Branco apresentou projeto ao Governo Federal através de Epaminondas Jácome referente à abertura de uma estrada ligando Boca do Acre ao Xapuri, o que ligaria esta região com as do Purus e Juruá colaborando com a integração territorial, diminuindo o tempo das viagens entre as respectivas regiões e aquecendo as relações comerciais internas.
A crise econômica ameaçava a até então poderosa N. Maia e Cia, devido à quebra econômica e o literal abandono dos seringais a miséria e a pobreza quebraram grande parte das casas comerciais locais, e as que não quebraram tiveram grande parte dos bens penhorados. A N. Maia & Cia passou a responder diversas execuções comerciais por empréstimos e arrendamentos não pagos nas praças de Manaus e Belém do Pará, a principal delas movida pelo Banco do Brasil no ano de 1916, por muito pouco não tomou o local em que estava instalada a casa do Coronel Neutel Maia e o Galpão de abatimento de gado da empresa N. Maia & Cia, por sinal um dos bens que mais lhe traziam divisas.
O processo do Banco do Brasil contra a N. Maia era correspondente à soma de 35 contos de réis referentes a empréstimos feitos pela N. Maia & Cia antes da queda do preço da borracha ocorrida a partir de 1912. A N. Maia alegou que a conta já havia sido paga no ano de 1910. A empresa de Neutel Maia perdeu a querela em 1ª instância e recorreu ao Tribunal de Apelação de Sena Madureira. Durante o processo revelou-se um fato inusitado: Antônio Rebelo foi nomeado como um dos responsáveis oficiais para fazer o levantamento dos valores dos bens penhorados da N. Maia & Cia. Ocorre que o Banco do Brasil contestou a avaliação de Antônio Rebelo devido ela exceder em mais de 150 contos de réis a dívida da N. Maia junto ao banco, alegando ainda que Antônio Rebelo tinha ligações comerciais com Neutel Maia e devido a isso supervalorizou os bens penhorados, além de inserir na lista bens imóveis não penhorados.
O Banco do Brasil colocou um advogado no encalço de Antônio Rebelo, no objetivo de desqualificá-lo como avaliador, isso só ocorreu quando o advogado do Banco do Brasil contratado em Rio Branco descobriu uma ligação intrigante entre Neutel Maia e Antônio Rebelo: Neutel desde suas viagens a Europa virou amante da jogatina, por via das dúvidas Antônio Rebelo era responsável pelo Smart Club: a mais afamada casa de jogos de Rio Branco da época; o advogado do Banco do Brasil, através de uma certidão descobrira que Neutel era sócio de Antônio Rebelo na casa de recreação Smart Club, assim, desqualificando-o como oficial de levantamento de valores dos imóveis penhorados da N. Maia na ação movida pelo Banco do Brasil contra a referida casa comercial. Não conseguimos confirmar a presença de Neutel Maia em Rio Branco no período de 1913 a 1916, isso porque, embora estivesse qualificado como eleitor para a primeira eleição de vogais do Conselho Popular Municipal ocorrida em janeiro de 1914, em todos os processos envolvendo a N. Maia & Cia do período, Manoel Teóphilo responde como procurador legal de Neutel Maia.
No ano de 1920 Neutel Maia envolve-se em uma peleja com o até então amigo Epaminondas Jácome devido à construção de uma obra. Em razão da queda do preço da borracha e após uma terrível enchente que assolou Rio Branco, o Governo Federal enviou certa quantia para ser utilizada no auxílio de miseráveis e flagelados, segundo Neutel, Epaminondas que já era seu amigo há mais de 30 anos, havia utilizado grande parte do dinheiro para a construção de um grupo escolar, afirmando Neutel que a obra tinha sido orçada 3 vezes acima do seu valor real.
Estas afirmações resultaram em uma ação de calunia e difamação impetrada por Epaminondas Jácome contra Neutel Maia no ano de 1921. A década de 20 é marcada por diversas ações judiciais da N. Maia contra devedores sempre respondendo como procurador Manoel Teóphilo, tendo como advogados José Alves Maia. As informações a respeito do fundador de nossa cidade cessam. Em meados da década de 30 Neutel se afasta totalmente das questões comerciais da N. Maia e com a morte dos principais sócios, a N. Maia & Cia é oficialmente dissolvida no ano de 1938.
Na manhã de 13 de setembro de 1940 Neutel falece no Rio de Janeiro após ser vítima de um atropelamento na Avenida Barão do Rio Branco. Neutel decididamente foi o fundador de Rio Branco, do comércio, da capela até o cabaré, teve influência nos mais variados segmentos do surgimento de nossa cidade. Por fim, no ano de 1941, residindo à época na cidade de Fortaleza, Teresa Newton Maia protocola petição solicitando a inclusão de seu nome no inventariado dos bens de Neutel Maia.
As informações apresentadas neste trabalho foram retiradas de Processos Judiciais pertencentes ao Arquivo Histórico do Tribunal de Justiça do Estado do Acre referente aos anos de 1904 a 1941. Serviram como base também a lista de eleitores da justiça eleitoral dos territórios, o relatório de José Paravicini, o Jornal “O Acre” exemplar de setembro de 1941 e a Revista de Comemoração ao Centenário da Cidade de Rio Branco produzida pelo Governo do Estado do Acre através do SERDA no ano de 1982. Este trabalho é versão resumida de uma minuciosa pesquisa (ainda não publicada) contendo outras informações a respeito da vida de Neutel Maia, elaborado segundo os padrões e as limitações estabelecidas no Edital do 2º Prêmio Garibaldi Brasil de Literatura Acreana.
Isaac Ronaltti Sarah da Costa |
É acreano, natural de Cruzeiro do Sul. Defensor e propagandista do Acre (por ser seu estado natalício) e de Rondônia (por ser também um Estado de História rica e de muitos amigos). |